Histórico

Em 31 de janeiro de 1964, na Sociedade Médica de Campina Grande, sob a presidência do Dr. Raul Dantas foi realizada uma Assembléia Geral Extraordinária para a criação da Sociedade Mantenedora da Faculdade de Medicina de Campina Grande. Já há três anos a comunidade reclamava a criação de uma Faculdade de Medicina na cidade. O Dr. Elpídio de Almeida é seu primeiro presidente e a lei municipal nº 2 de 29 de janeiro de 1965 doa para a Faculdade de Medicina o “terreno localizado no núcleo de Granjas Santo Izidro no bairro de Bodocongó, com uma área de 46.800m2 limitando-se ao Norte com A. Contorno (1) ao Sul e a Oeste com terrenos da prefeitura e a Leste com terrenos dos padres Redentoristas”. O Decreto 63.412 de 11 de outubro de 1968 autoriza o sonho. Em 1973 na gestão do Dr. Firmino Brasileiro Silva se forma a primeira turma e a comunidade recebe cinqüenta novos médicos. Em 1979 essa Faculdade é incorporada à Universidade Federal da Paraíba, inicialmente como um Departamento do Centro de Ciências e Tecnologia e logo depois como o Centro de Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS).

O surgimento do curso de Medicina, pioneiro no interior do nordeste durante muitas décadas, teve como motivação principal à grande deficiência de profissionais médicos no estado da Paraíba e notadamente em Campina Grande. Nesta época, a correlação médico/habitante era de 01 médico para 1.420 habitantes, considerando-se apenas a população da cidade, embora seus médicos servissem a população de todo o compartimento da Borborema. Na Paraíba esta correlação passava a ser de 01 médico para 6.500 habitantes (dados de 1967), ainda mais distante do que preconiza a Organização Mundial de Saúde, que é de 01 médico para 921 habitantes. A relevância social da concretização do sonho de criação do Curso de Medicina é facilmente constatada através da análise de dados mais recentes que assinalam a correlação de 01 médico para 500 habitantes na cidade de Campina Grande, denotando uma acentuada melhora dos indicadores de saúde do Município.

Em 1975, um Projeto de Lei, de autoria do deputado Otacílio Queiroz, autorizava o Governo Federal a instituir a Fundação Universidade Federal de Campina Grande. Haveria incorporação das unidades do campus II da UFPB às unidades da Universidade Regional do Nordeste. Em 1984, um Projeto do mesmo deputado previa a incorporação ao Campus II da UFPB de cursos da área de saúde da então Fundação Universidade Regional do Nordeste. E um substitutivo do deputado Aluízio Campos acrescentava à autorização já prevista a criação de nova Universidade Federal de Campina Grande, mediante desmembramento do Campus II e de outros da UFPB, inclusive os encampados. Tais projetos não vieram a ter sucesso. Em 1989, o deputado Evaldo Gonçalves, na linha dos projetos anteriores, elaborou Projeto de Lei com vistas à criação da Universidade Federal de Campina Grande, encampando a Universidade Estadual da Paraíba. Tal projeto não obteve maiores repercussões.

Em 1992, uma Portaria, da então SENESU, assinada pela professora  Eunice Durhan, criou uma comissão presidida pelo professor Raimundo Hélio Leite (SENESU) e formada ainda pelos professores Firmino Brasileiro Silva, Maria do Socorro Silva de Aragão, da UFPB, Carlos C. P. Marques, da SENESU, e Berilo Ramos Borba, delegado do MEC/PB. O estudo levou à proposta de “viabilidade técnica” da criação de duas novas estruturas na Universidade Federal da Paraíba: a UFPB, com sede em João Pessoa, e abrigando ainda os campi de Areia e Bananeiras, e a UFCG, com sede em Campina Grande, e compreendendo também os campi de Patos, Sousa e Cajazeiras. A comissão concluía pela recomendação de tal desmembramento, acrescentando que sua execução não implicaria em acréscimo significativo de despesas. Ao longo do ano de 1992, anunciou-se, com insistência, pela imprensa, a iminente criação da UFCG, sob o patrocínio político do então senador Raimundo Lyra. Durante o governo do Presidente Itamar Franco, o Sr. Ministro da Educação, prof. Murílio de Avellar Híngel, tomou posição pública contrária à criação de novas Universidades Federais. Embora outras tenham sido criadas, o Sr. Ministro desautorizou o apoio do MEC ao possível desmembramento da UFPB.

Posteriormente, o assunto voltou a aparecer, desta feita através de declarações de diversos parlamentares, dando conta de que o Sr. Ministro da Educação estaria receptivo à criação da UFCG. No dia 30 de março de 1994, os Diretores e Vice-Diretores do Campus II e o Pró-Reitor e Pró-Reitor Adjunto da Pró-Reitoria para Assuntos do Interior da UFPB, comunicaram através de uma carta dirigida ao Magnífico Reitor suas posições favoráveis à criação da UFCG, a partir de uma discussão ampliada, e a criação de uma Comissão Técnica formada pelos professores THOMPSON F. MARIZ, JURANDIR A. XAVIER, VILMA LÚCIA F. MENDOZA e JOSÉ DE ARIMATÉIA M. DE LUCENA, que teria a função de elaborar um projeto para discutir a emancipação junto à comunidade universitária, ao tempo em que solicitavam que os Conselhos Superiores da UFPB fossem cientificados dessa decisão. Assim é que o assunto foi levado ao CONSUNI e, por iniciativa do Reitor, criada a referida Comissão com o objetivo de “promover e ampliar a discussão sobre o desmembramento da Universidade Federal da Paraíba”, conforme Portaria/SODS/N° 02/95.

Somente anos depois, e mediante a Lei 10.419 de 09 de abril de 2002, é que foi criada a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), que possui atualmente 11 Centros Acadêmicos, estando presente em 6 municípios do Estado, além da sede em Campina Grande. Uma Instituição que cresce cotidianamente constituindo-se como um importante instrumento de desenvolvimento social e econômico para a Paraíba.